A Universidade do Mindelo quer apoio do Estado para a internacionalização do ensino superior

Mindelo, 10 Dez (Inforpress) – O reitor da Universidade do Mindelo (Uni-Mindelo) pediu, hoje (10/12), no Mindelo, que os poderes locais e centrais ajudem na internacionalização do ensino superior, uma “das vias de desenvolvimento e projecção da imagem de Cabo Verde”.

A Uni-mindelo, que é uma das universidades privadas mais antiga do país e que já recebe estudantes de outros países, pretende, segundo Albertino Graça, alargar-se a novos públicos universitários no estrangeiro, contudo, uma tarefa, ajuntou, que não pode ser apenas da universidade, mas que precisa, necessariamente, de contar com o apoio dos poderes local e central

“A internacionalização do ensino superior é uma das vias de desenvolvimento e de projecção da imagem e até de influência de Cabo Verde e talvez a mais evidente”, lançou o responsável, adiantando que a instituição encara esta internacionalização com foco na mobilização, cooperação e formação internacional.

Entretanto, espera-se, segundo a mesma fonte, que aqueles que lideram o país tenham “consciência” de que “universidades fortes” são a condição primeira para a mudança das estruturas sociais e económicas.

Um posicionamento defendido por Albertino Graça durante a cerimónia em que foi distinguido com a Medalha de Ouro pela Escola Superior de Enfermagem de Lisboa (ESEL), e em que aproveitou para partilhar “um pouco da visão” de internacionalização da Uni-Mindelo, que, assegurou, não é um fim só por si, mas, um “instrumento indispensável” para se cumprir a missão que emana de cada universidade.

A ESEL, com quem montaram o curso de Enfermagem em São Vicente há nove anos, mostra-se, segundo a mesma fonte, como um “grande exemplo” de cooperação e que “ajudou muito” para o crescimento da universidade.

Também, ajuntou, reconhecendo o “crescimento e a credibilidade” da universidade e das instituições de Saúde do país, começou a enviar os seus estudantes para fazer parte dos estudos em Cabo Verde.

“Com isso, demos um passo fundamental em direcção à segunda fase da internacionalização, isto é, a internacionalização da nossa oferta formativa”, salientou, adiantando ser uma das “apostas estratégicas e transversais” da universidade, que já conta, assegurou, com uma “significativa rede de parceiros”, quer por meio de acordo bilaterais, quer através da pertença e participação em redes de instituições de ensino superior.

Como outras iniciativas, segundo Graça, pretendem, no contexto no programa de Horizonte 20/20, participar em programas de consórcios de investigação e, nesta perspectiva, a Uni-Mindelo trabalha com universidades portuguesas, espanholas e francesas.

Ainda inserido no programa Caps do Ministério da Educação do Brasil, a universidade mindelense coopera com algumas instituições brasileiras na mobilização de estudantes e, se “tudo correr bem”, perspectivou, poderão receber, ainda neste ano lectivo, um “grande contingente de estudantes brasileiros” para cursos de pós-graduação em Cabo Verde.

A Uni-Mindelo, conforme a mesma fonte, trabalha também com universidades do Macau e, ainda enquadrado na licenciatura de Odontologia, poderá receber estudantes suecos.

Isto além de constituir “prioridade”, acrescentou, a “contínua colaboração” com universidades do continente africano.

“Entretanto, o nosso grande objectivo é a atracção de estudantes internacionais para aqui para fazerem uma licenciatura ou uma pós-graduação de base, ou mesmo um curso de curta duração ou os chamados cursos de férias”, asseverou o reitor, que confessou que pessoalmente tem o sonho de ver estudantes de várias nacionalidades passeando pelo Mindelo e, assim, “reinventando o antigo cosmopolitismo desta que sempre foi uma cidade-porto”.

Mas para isso, segundo a mesma fonte, será preciso dar respostas a outras exigências como a construção de “residências universitárias de qualidade”, ensino de línguas e promover o país e o seu ensino superior no estrangeiro, reforçou.

 

Fonte: Inforpress